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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Interferências

Governo vai vetar o negócio da compra da TVI pela PT

No fundo, no fundo, isto foi tudo uma jogada do Engenheiro para subir nas sondagens e enterrar advesários e (antigos) parceiros estratégicos.
Com o objectivo de despachar o Moniz, o Engenheiro dá a dica à PT para adquirir uns 30% da Media Capital. Percentagem suficiente, de acordo com os nossos grandiosos opinadores, para controlar a TVI (os jornais dizem mesmo "comprar").
Obviamente, barulho. Louçã, Leite e, surpresa das surpresas, Cavaco!
Mas o Engenheiro já desconfiava disso. Dp de chumbar a lei do pluralismo na CS e de comentar o negócio do Cristinao Ronaldo, o Sr. Presidente (sp sem querer interferir nos negócios) teria de meter o bedelho neste.
ZBava clama, na RTP, contra os insultos e os jornais, afinal, garantem que Moniz fica na TVI. Tudo parece estar a entrar nos carretes, qdo o Engenheiro, no seu novo estilo suave, dá numa de transparente: "não queremos suspeitas"!
Pontos para Sócrates, que não quer interferir mas interfere opondo-se ao negócio.
Pontos para Alegre, que ganha com a interferência de não interferência de Cavaco.
Pontos para Passos Coelho, que ganha com as certezas absolutas de Ferreira Leite.
Pontos para todos nós pq já nos bastam as desconfianças de interferências na RTP.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Olha, vi na SIC...

-Vi uma reportagem da SIC em Angra!

- A sério?!! sobre o quê?? Deixa-me adivinhar: as pontes prás vacas na via rápida!

- Nop

- Já sei, a estreia nacional da peça com a Sofia Alves.

- Nada disso.

- Ah, as Sanjoaninas, e os 25 anos da primeira cidade portuguesa património Mundial!

- Achas???! Tens mais uma hipótese.

- Hmmmm.... a moderníssima escola de São Carlos não será.... o César está por Cabo Verde... o Costa Neves ninguém sabe, nem saberá, quem é..... epá, nã tá fácil..... Alguma miúda filmada a dar um tiro numa prof?

- eheheh. podia ser, mas não: Milionário emigrante açoriano pá! O gajo ganhou 9 milhões na lotaria, tá rico, e veio passar férias à terra-mãe.

- A sério??! E então, tava com saudades da ilha?

- Cá nada. O uóme queria era voltar prós Canadás. Em quase 10 minutos de reportagem em Angra conseguiram não apanhar uma única vez o Monte Brasil, mas filmaram uma bandeira do Benfica!

- Ah Glorioso!!!!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A arte de mentir, por António Barreto

Só trocava o mentir pelo vender. de resto, Barreto dá-lhe (mais uma vez) na mouche. Nem a propósito, no momento em que escrevo isto passa uma reportagem na SIC N, toda ela feita de publicidade a um banco (e não só) camuflada sob um titulo do género, "CRonaldo é o jogador mais mediático do Mundo". Onde é que acaba o jornalismo e começa a publicidade?

Têm várias designações. Assessores. Conselheiros. Encarregados de relações com a imprensa. Agentes de comunicação. Ou, depois do choque tecnológico, press officers e media consultants. Sem falar nos conselheiros de imagem. Povoam os gabinetes dos ministros, dos secretários de Estado, dos directores-gerais, dos presidentes e dos gestores. Vivem agarrados aos telemóveis, aos BlackBerries, aos Palms e aos computadores. Falam todos os dias com os administradores, directores e jornalistas das televisões, das rádios e dos jornais. Dão, escolhem, programam e escondem notícias. Mostram aos políticos e aos gestores o que é do interesse deles. Planificam a informação. Calculam os efeitos e contam as referências feitas na imprensa. Tratam da imagem, compram camisas para os seus mestres, estudam-lhes as gravatas, preparam momentos espontâneos, formulam desabafos, encenam incidentes e organizam acasos. Revelam a intimidade que se pode ou deve revelar.Calculam os efeitos negativos de uma decisão sobre os impostos, que articulam com as consequências positivas de um aumento de pensões. A fim de contrabalançar, colocam o anúncio de Alcochete logo a seguir ao do referendo europeu. Fazem uma planificação minuciosa das inaugurações.

Escrevem notícias com todos os requisitos profissionais, de modo a facilitar a vida aos jornalistas. Mentem de vez em quando. Exageram quase sempre. Organizam fugas de imprensa quando convém. Protestam contra as fugas de imprensa quando fica bem. Recompensam, com informação, os que se conformam. Castigam, com silêncio, os que prevaricaram. São as fontes. Que inundam ou secam.

Os jornais parecem-se uns com os outros. As notícias são quase iguais. As agendas das redacções são gémeas. Salva-se, desta uniformidade, aqui e ali, quem assina o que escreve. Os noticiários das televisões têm agendas iguais. E alinhamentos de notícias também. Os directos, grande vício da televisão portuguesa, são iguais em todos os canais. Cada vez mais, a informação está previamente organizada, não pelas redacções, não pelos jornalistas, mas pelos agentes e pelos assessores. Quem tem informação manda em quem investiga, escreve e transmite. Grande parte da informação é encenada e manipulada, de acordo com as conveniências. Há informação reservada para melhores momentos, informação programada para dramatizar, informação inventada para divertir e informação acelerada para consolar. Isto acontece há anos. Em Portugal e no mundo inteiro. Todos os anos, a situação piora. Com Sócrates, refinou. O poderio das organizações de comunicação é avassalador. A opinião pública não tem meios para escolher e resistir. Só a independência dos jornalistas poderia fazer frente a este domínio inquietante. Mas esta é um bem raro. Até porque os empregos na informação são cada vez mais precários.

A recente polémica sobre as agências de comunicação, novo episódio numa longa série, mostrou esta actividade no seu pior. As mesmas agências comunicam a favor dos adversários, da política e da economia, da polícia e do ladrão, do Governo e da imprensa. Do atirador e do alvo, como disse Pacheco Pereira.

Até a Entidade Reguladora para a Comunicação, sem ver os efeitos nefastos, achou por bem ter uma agência a tratar da sua informação. O Governo tem a sua. Luís Filipe Menezes também: em vez de denunciar a prática do Governo, quis imitá-lo. Foi preciso Santana Lopes, em momento inspirado, opor-se a este despotismo: "O modo e o conteúdo da comunicação fazem parte do domínio da liberdade absolutamente inalienável de cada deputado."

Luís Marques, jornalista há várias décadas e com experiência da redacção, da direcção e da gestão da informação, em jornais e na televisão, fez há poucos anos um pequeno estudo sobre as "agendas" de informação. Chegou a resultados surpreendentes. Contando apenas os grandes órgãos de informação generalistas e nacionais, com exclusão das secções mundanas e outras, havia em Portugal cerca de 1500 profissionais. Para os alimentar de informações, os assessores, as agências de comunicação e outros somavam quase 3000. Quer dizer, por cada jornalista em actividade na informação política e económica, dois profissionais preparavam as agendas e as notícias. É esta gente que inunda as redacções com "factos", "eventos", "oportunidades" e "situações". Qualquer redacção tem dificuldade em resistir-lhe. Se, às 20h00, o primeiro-ministro sai de um lar de idosos, entra numa creche ou produz uma declaração espontânea, como pode uma redacção decidir não estar presente? É este exército o responsável por grande parte das "entradas" que, durante a manhã, enchem as agendas das redacções.

Num grande canal de televisão, essas entradas podem hoje chegar às 1000 por dia, enquanto eram cerca de 100 há quinze ou vinte anos. Na agenda diária da redacção de um canal de televisão, perto de um terço das entradas (mais de trezentas...) é feito directamente pelas agências de comunicação e pelos assessores dos gabinetes e das instituições. Mais ainda, é aquela brigada que, muitas vezes, sobretudo na informação económica, redige as notícias.Nas redacções, povoadas hoje por jovens estagiários e inexperientes, mas também por seniores preguiçosos, publicar directamente as notícias assim preparadas, ainda por cima por jornalistas e antigos jornalistas treinados, é a solução mais simples. Por isso, é frequente vermos, sem menção de publicidade, notícias económicas absolutamente iguais em vários jornais.

Há quem pense que é isto a modernidade. A informação racional da época contemporânea. O sinal da eficácia. O instrumento da transparência. Mas desenganem-se os crédulos. O objectivo dos assessores e das agências de comunicação é sempre o de defender os interesses do autor da informação, nunca do destinatário, do cidadão. A única preocupação do agente é a de vender o mais possível, nas melhores condições, bens ou ideias, mercadorias ou decisões. Os agentes de comunicação não defendem os interesses dos compradores, dos consumidores ou dos espectadores, mas tão-só dos vendedores, dos produtores e dos autores. Apesar de pagos pelos eleitores, servem para defender os eleitos. Este é o mundo em que vivemos: a mentira é uma arte. Esta é a nossa sociedade: o cenário substitui a realidade. Esta é a cultura em vigor: o engano tem mais valor do que a verdade.

António Barreto, Sociólogo - "Público" 27 Jan 08

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

César e os Media

Se isto aconteceu mesmo, tal como vem escrito no artigo, a grande consideração que tinha pelo executivo de César, acabou de cair. É bom que não se confunda uma boa politica de comunicação com condionalismos públicos desta ordem.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Avalanche

Não se falou de outra coisa o dia todo. A SIC Noticias fez uma opinião pública especial sobre o Scolari ás 11 da noite. Fodasss, adoro futebol, mas este exagero é intolerável. Se não houvessem mais temas no dia de hoje, compreeendia que se fizesse qualquer coisa do género. Mas convidar o Rui Santos pra mandar bujardas ao Scolari todo o santo dia é insuportável. Quem é que consegue aguentar??

Hoje, Bob Gedolf veio a Portugal pra chamar a atenção pros problemas africanos e quem é que se apercebeu disso? Dalai Lama foi recebido no parlamento sabiam? Sócrates fez um discurso sobre as migrações, e ninguém o elogia ou critica? E porque não fazer-se um debate sobre as questões da emigração? E porque não aprofundar os dados da UNICEF relativamente à descida da mortalidade infantil no Mundo?
Deveria aproveitar-se a presidência portuguesa da UE pra trazer pra agenda outras coisas da Europa e do Mundo (sem ser o tratado europeu). Mas não, a SIC Noticias foge pelo caminho menos trabalhoso possível: meter uma jornalista sexy, às 23h, acompanhada do brilhantina man, a ouvirem meia duzia de telefonemas com os mesmos conteúdos pro ou anti Socolari.
Carradas e carradas de noticias a merecerem um destaque mais aprofundado que o soco do nosso seleccionador, e desperdiçam-se horas e horas de antena a falar do futuro castigo a aplicar ao Sr. Questiono-me: o que aconteceria se houvesse uma TVI News? Pânico!
Depois da avalanche Maddie, é a avalanche Socolari. Se a mim me enjoa, imagino quem não goste de futebol...
É bom reparar que os cucos do diário desportivo de referência Record andam a beber dos blogs de referência, mas da próxima agradeço que peçam direitos de autor sff.